Biblioteca de saúde
Biblioteca de saúde
Calculadoras
Calculadoras
Sobre
Sobre
    O Flo a Dois chegou! Descubra as vantagens do app e saiba como criar sua conta

    Sangramento de implantação vs. aborto espontâneo: qual é a diferença?

    Atualizado em 28 de novembro de 2022 |
    Publicação 12 de dezembro de 2022
    Informação verificada
    Revisão médica por Dra. Ruth Arumala, Obstetra e ginecologista, cirurgiã ginecológica e cosmética, Texas, EUA
    Padrões de verificação de fatos do Flo

    Todo o conteúdo da Flo Health segue os padrões editoriais fundamentais de rigor médico, credibilidade dos dados e informações atualizadas. Para entender como asseguramos a credibilidade das informações sobre saúde e estilo de vida, confira os nossos princípios de revisão de conteúdo.

    Embora seja uma experiência assustadora, a perda de sangue no início da gravidez nem sempre é algo ruim. Uma ginecologista obstetra explica quais são os sinais de sangramento de implantação e do aborto espontâneo e indica quando buscar aconselhamento médico.

    Qualquer sangramento durante a gravidez pode ser preocupante. Mas a perda de sangue nem sempre é um sinal de que algo está errado. Na verdade, pode ser exatamente o oposto.

    Se você nunca ouviu os termos sangramento de implantação, sangramento de fecundação ou ainda sangramento de nidação, não foi por falta de atenção nas aulas de biologia. Na verdade, muitas pessoas não sabem que pode haver um pequeno sangramento quando um óvulo fertilizado se fixa à parede do útero. Mas vamos deixar você por dentro de tudo.

    Não é incomum notar pequenas perdas de sangue no início da gravidez. O Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) sugere que isso acontece entre 15% e 25% das gestações. Às vezes, porém, é difícil diferenciar o sangramento que ocorre com a implantação, com um aborto espontâneo, ou até mesmo a menstruação.

    Entender o aspecto do sangramento de fecundação e as sensações causadas pelo fenômeno ajuda a identificar um dos primeiros sinais de gravidez. Além disso, saber diferenciar o sangramento de implantação dos sintomas do aborto espontâneo é essencial para garantir que você busque ajuda médica quando necessário.  

    Neste artigo, a Dra. Jennifer Boyle, ginecologista obstetra do Massachusetts General Hospital, ensina o que é o sangramento de implantação. Ela também explica outras causas das perdas de sangue no início da gravidez, mostra como diferenciar o sangramento de implantação de um aborto espontâneo e diz o que fazer em caso de preocupação.

    O que é implantação? O que é sangramento de implantação?

    A implantação ocorre quando o óvulo fertilizado desce por uma das tubas uterinas e se fixa à parede do útero. Nesse estágio, o óvulo fertilizado já é um agrupamento de células que se dividem rapidamente, chamado de blastocisto. Também chamada de nidação, a implantação normalmente ocorre entre 6 e 10 dias após a fecundação. É comum que algumas mulheres e outras pessoas que menstruam apresentem sangramento durante esse processo.

    “O sangramento de implantação é a perda de sangue que acontece quando o óvulo fecundado se prende ao endométrio, ou revestimento uterino”, explica a Dra. Boyle. “Não sabemos por que apenas algumas mulheres apresentam esse sangramento”, completa ela. Acredita-se que isso aconteça em cerca de 25% das gestações.

    Quando o sangramento de implantação ocorre, geralmente é porque o útero e o endométrio se tornam mais sensíveis no início da gravidez, explica a Dra. Boyle. O processo da implantação pode fazer com que pequenos vasos sanguíneos na parede uterina se rompam, o que causa uma pequena perda de sangue.

    O interessante (e o que leva à confusão) é que o sangramento de implantação tende a acontecer na época em que a menstruação é esperada, de acordo com a Dra. Boyle. Por isso, às vezes é difícil saber se houve gravidez ou não. Mas é bom observar que a perda de sangue causada pela nidação é mais leve e curta do que o sangramento normal do ciclo menstrual, que dura alguns dias. Além disso, o sangramento de implantação não é acompanhado dos sintomas típicos da menstruação, como aumento da acne e inchaço. A sensibilidade nos seios é, porém, um dos sintomas geralmente notados nos dois casos.

    Conhecer o funcionamento do seu ciclo é bastante útil para entender o que pode estar acontecendo com seu corpo. Um app de monitoramento do ciclo e da fertilidade, como o Flo, ajuda a saber quando a ovulação ocorreu e a determinar se a causa mais provável do sangramento é a nidação (cerca de duas semanas após a fecundação), a menstruação ou outra coisa.

    Qual é o aspecto do sangramento de implantação? Os sintomas são diferentes de um princípio de aborto espontâneo?

    Notar uma perda de sangue logo no início da gravidez é alarmante. E também é natural que a pessoa se sinta ansiosa. Mas se você souber reconhecer os sinais do sangramento de implantação, vai ser mais fácil manter a calma. É bom sempre lembrar que cada corpo funciona de um jeito diferente, e algumas pessoas têm uma experiência totalmente distinta da esperada. Mas em geral, estes são os indícios mais comuns do sangramento de implantação:

    • A cor do sangue tem um tom mais rosado ou amarronzado do que em uma perda gestacional. 
    • A consistência também é diferente no caso da nidação e não tem coágulos.
    • “O sangramento de implantação é bem leve ou parecido com escape, e não deve causar dor”, diz a Dra. Boyle. 
    • “É possível que a perda de sangue ocorra uma ou mais vezes no mesmo dia, mas não dura mais do que dois ou três dias”, ela acrescenta.

    Quando o sangramento no início da gravidez é um sinal de aborto espontâneo? Quais são os outros sintomas da perda gestacional?

    A perda de sangue nos estágios iniciais da gravidez naturalmente leva a conclusões preocupantes, principalmente quando ocorre junto com outros sintomas típicos do aborto espontâneo (saiba mais abaixo). Se sua gravidez foi confirmada e você descarta que o sangramento seja causado pela implantação em virtude do tempo decorrido, é melhor buscar ajuda médica imediatamente. 

    “Se já passou a quarta semana de gravidez, ou seja, mais de duas semanas desde a última ovulação, a perda de sangue não é sangramento de implantação”, alerta a Dra. Boyle.

    Às vezes, um processo de aborto espontâneo não apresenta os sintomas claros. Mas alguns sinais comuns de perda gestacional são um sangramento intenso acompanhado de:

    • cólicas
    • dor no baixo-ventre
    • descarte de fluidos ou tecidos

    Sua saúde e segurança são muito importantes. Portanto, caso apresente algum desses sintomas, busque um profissional médico para confirmar se houve aborto espontâneo e discutir as opções (cirurgia ou deixar a natureza seguir seu curso).

    Muitas vezes, é devastador saber que uma gravidez (desejada ou não) foi interrompida, principalmente quando os sintomas físicos também causam desconforto. Embora não sirva de consolo, o aborto espontâneo é, infelizmente, bastante comum. Segundo as estimativas, uma em quatro gestações acaba de maneira involuntária, portanto você não está só no luto que pode estar sentindo.

    O mais importante é saber que você não deve se culpar. A Dra. Boyle enfatiza para todas as pacientes que, quando a perda do bebê acontece, não é por causa de algo que fizeram. Fazer sexo ou exercícios físicos, carregar peso, consumir cafeína, sentir estresse ou ingerir uma bebida alcóolica antes de saber da gravidez não causam o aborto espontâneo. “É normal pensar dessa maneira, mas você não causou nem poderia ter evitado a perda”, a Dra. Boyle garante. Nunca se esqueça disso. 

    “Não há nada que a medicina e a ciência possam fazer para impedir que um aborto espontâneo aconteça. Nem mesmo buscar ajuda médica antes teria mudado o resultado”, completa a Dra. Boyle. “A esmagadora maioria dos casos de perda fetal se deve a problemas genéticos ou erros cromossômicos no momento que o espermatozoide fecunda o óvulo”, afirma ela.

    O sangramento de implantação aumenta as chances de aborto espontâneo?

    Não. A única conexão comprovada entre a implantação e o aborto espontâneo é que ambos causam perda de sangue, e nem sempre é o caso.

    “O sangramento de implantação não aumenta o risco de um aborto espontâneo”, diz a Dra. Boyle. “A perda de sangue que acontece na interrupção involuntária da gravidez normalmente é mais intensa e vem acompanhada de cólicas. Já o sangramento de implantação ocorre apenas por volta de quatro semanas de gravidez. Portanto, qualquer perda de sangue depois desse tempo não é decorrente da nidação”, ela ressalta.

    Não se preocupe, pois passar por um aborto espontâneo nem sempre significa que há um risco maior de ter outros. Mas se, infelizmente, você já tiver passado por mais de uma perda gestacional, talvez haja algo por trás disso e aumenta o risco de abortar novamente. Nesse caso, um profissional médico pode pedir exames para descobrir qual é o problema.

    “Na maioria das vezes, não se encontra uma explicação das razões pelas quais alguém passa por isso. Porém, alguns exames podem revelar fatores de risco que levam à interrupção prematura da gravidez. E, para alguns casos, existem tratamentos que ajudam a reduzir o risco de acontecer outro aborto espontâneo”, ela observa.

    Alguns dos fatores de risco mais comuns que podem levar à perda gestacional são:

    • idade materna avançada
    • sobrepeso
    • anomalias na tireoide
    • diabetes
    • problemas hormonais
    • anomalias uterinas, como útero septado (a cavidade do útero é dividida no meio por uma parede anômala de tecido)

    Como sobreviver a um aborto espontâneo

    A perda do bebê pode causar agonia física e emocional. E apesar de sabermos que muitas pessoas passam por isso, é uma experiência que provoca sentimentos de desolamento e solidão.

    Nas palavras da Dra. Boyle: “O aborto espontâneo é uma perda. É a perda da gravidez e do bebê que você esperava. É importante superar o processo fisicamente, o que já é bem difícil, mas também é necessário cuidar da saúde emocional”.

    Ela aconselha falar sobre a perda. Talvez você conheça outras pessoas que passaram por uma situação semelhante e depois deram à luz bebês saudáveis. Isso pode ser reconfortante. A recuperação e a cura após a interrupção involuntária da gravidez vão acontecer, mas não existe uma fórmula mágica que funcione para todo mundo. Algumas pessoas precisam tirar um tempo de folga no trabalho, enquanto outras se sentem melhor quando voltam à rotina normal. 

    “Tento ter empatia e validar o sentimento de perda das pacientes. Desejo que quem passou por isso tenha confiança de que vai dar certo no futuro, mas não quero desprezar a do